Mitos caninos

 OS GRANDES MITOS CANINOS
Ayrton Mugnaini Jr.

É fato que não faltam mitos, noções erradas e até lendas urbanas sobre tudo que é assunto – inclusive cães. Vamos lembrar aqui alguns dos mitos sobre a cinofilia mais, digamos, acreditáveis e, por isso, muito comuns, do tipo “eu acredito porque foi minha avó quem me contou” ou “sei que é verdade porque vi na televisão ou na internet”.

SAÚDE

“Focinho quente é sinal de doença.”

A temperatura dos focinhos costuma subir durante o sono do cão, daí ele acordar de nariz quente, o que é normal. Só haverá problema se, além de quente, o focinho do bicho estiver seco e o cão mostrar grandes alterações de comportamento.

“Cães não precisam ser vermifugados quando não saem à rua.”

Como se vermes tocassem campainha ou pagassem pedágio… Mesmo no recesso do lar os caninos podem contrair micróbios trazidos por mosquitos. Prudência, canja de galinha (cuidado com os ossinhos! Mais sobre isso daqui a pouco) e vermifugação não fazem mal ao canino são ou doente.

“Cães avisam quando estão doentes.”

Na verdade, eles conseguem esconder as doenças, para não se mostrarem vulneráveis ao “inimigo”, e os sintomas só costumam aparecer quando a doença ou incômodo estiverem bem avançados, dando então a impressão de que o bicho está chamando a atenção para o problema.

“Cães castrados engordam.”

Na verdade, eles podem acumular gordura por falta de exercício e excesso de calorias durante o pós-operatório, mas não devido à castração em si.

“Cães só enxergam em preto e branco.”

Eles apenas vêem menos cores que o ser humano, pois seus olhos têm menor quantidade de celulas cônicas, que permitem distinguir as cores.

“Cadelas devem ter ninhada antes de serem esterilizadas.”

Do ponto de vista de saúde e bem-estar do bicho, castração (para machos) e esterilização (para fêmeas) são benéficas, diminuindo o risco de tumores em mama, testículos e próstata e de infecções urinárias. Além de prevenir filhotes indesejados que podem vir a aumentar a população abandonada nas ruas.

“Vira-latas são mais saudáveis que cães de raças puras.”

Não é bem isso. Vira-latas costumam estar menos sujeitos a enfermidades ou problemas comuns a certas raças, mas nem por isso são invulneráveis ou mais imunes a doenças que outros cães.

“Um ano canino equivale a sete anos humanos.”

Um cão com 20 anos equivaleria a uma pessoa com 140. Bom, nenhum ser humano vive tanto. E o envelhecimento (ou melhor, amadurecimento) canino não é linear como o humano; com um ano de idade cães (assim como gatos) já são maduros o suficiente para procriarem. E raças de grande porte, como os buldogues e mastifes, costumam viver menos que as pequenas, como dachsunds e pequineses.

“Pessoas são imunes a determinadas bactérias que atacam os cães e vice-versa e a saliva canina é poderoso antisséptico.”

A noção de cães lambendo as próprias feridas para se curarem virou até provérbio, mas o poder curativo da saliva não é tudo isso. E cães podem ser mais suscetíveis a determinados problemas de saúde que pessoas e vice-versa, mas os mesmos microorganismos podem atacar a ambos.

ALIMENTAÇÃO

“Cães comem pedras, papéis e colchões atrás de nutrientes para complemento alimentar.”

Na verdade, cães gostam de mordiscar tudo o que aparece para se divertirem, ter o que fazer e chamar atenção, embora possam se beneficiar da eventual presença de proteínas e outros nutrientes do que comerem.

“Ossos são sempre bons para o cão.”

Não faltam histórias em quadrinhos e desenhos animados em que o melhor tesouro do cão é seu osso. Na vida real, tudo bem o bicho roer ossões grandes, de preferência com tutano, já que muitos cães gostam de ficar mordiscando coisas e todos precisam se alimentar. Mas nada de ossos pequenos – basta lembrar da atenção que devemos dar a crianças humanas que não devem ser deixadas com “partes pequenas que podem ser engolidas”. Ossos cozidos também são problema, pois podem se romper e formar rebarbas perigosas.

Sem falar que o cão tem tanta necessidade de higiene bucal quanto o ser humano. Para o cão se divertir sem riscos, ossos de borracha e náilon são ideais.

“Se você mexer na comida do cão enquanto ele estiver comendo, ele te morde.”

Se o cão ataca quem mexe, acidentalmente ou não, na comida dele, inclusive os donos, sejam adultos ou crianças pequenas, o problema está na socialização – ou falta dela. Sempre comparo cães a crianças pequenas, e me lembrei daqueles pais sempre ocupados e pouco presentes, que “têm uma ligeira ideia de umas pessoas pequenininhas que andam pela casa”.

Do mesmo modo, não basta encher a gamela de comida, dizer “oi” e “tchau” e pronto. O cão tem que entender que, mais que donos e líderes, você e seus filhos são amigos dele, não inimigos que querem roubar-lhe a comida. Ele precisa até ficar contente quando os donos, sejam de que idade forem, vêm mexer em seu prato, porque sabe que vai ganhar carinho ou um petisco. O ideal é começar a alimentar o peludo dando-lhe comida na palma da mão, e depois, a cada vez que lhe servir comida (servir mesmo, não simplesmente jogá-la como aqueles restaurantes que fazem por merecer que tanta gente reclame nos jornais), mexa na gamela, começando por uma mexidinha e, com o tempo, enfiando a mão na comida mesmo. Daí que, se alguém chutar sem querer o prato ou uma criança bulir na comida, ele não se sentirá ameaçado.

SOCIALIZAÇÃO

“Cães e gatos são inimigos.”

Isso virou até símile, “brigar como cão e gato”. Na verdade, depende do temperamento de cada cão e gato; o que não falta são gatos que não se dão bem nem com outros gatos e cães que vivem às turras até com outros cães. Depende também da socialização: também não faltam caninos e felinos que só faltam se dar as patas e sair pelo mundo cantando “Amigos Para Siempre”.

“Cães precisam de quintal.”

É claro que ninguém gosta de viver sufocado e confinado em “apertamento”. Mas pode reparar: dê a seus cães um quintal do tamanho de um campo de futebol, e a maior parte do tempo eles vão ficar à porta esperando a hora de entrar em casa.

No fundo, muita gente quer um quintal não para o cão ter seu próprio espaço e se divertir, mas sim para ele ficar lá fora e deixar o dono em paz. Mais que ficarem confinados em casa e quintal, cães querem brincar, correr, se exercitar e se divertir na companhia dos donos. Afinal de contas, seres caninos são como humanos: ambos são bichos de matilha e, embora nem sempre pareça, gostam de vida social.

“Cães só abanam a cauda quando estão felizes.”

O cão abana a cauda devido a diversos estados de excitação, ansiedade ou mesmo agressividade.

De modo geral, cauda abanando erguida a 90 graus significa que o bicho está agressivo; a cauda baixa mostra que o cão está agressivo porém desconfiado e na defensiva, ou, conforme o caso, está submisso; e a cauda praticamente na horizontal é convite para brincar.

Convém lembrar que a linguagem corporal dos cães, embora mais simples que nossa linguagem falada, não é tão simples quanto parece; o cão pode querer dizer uma porção de coisas não só pela cauda, mas também pelas orelhas, olhar, posição da cabeça e outros detalhes. Na dúvida, antes de se aproximar de um cão estranho, converse com o dono!

“A mandíbula de um Pitbull se prende quando ele morde.”

No máximo, a mordida de um pitbull é mais forte que a maioria dos outros cães, mas esta história de mandíbula com “fechadura” é mais um produto da injusta má reputação do pitbull como besta-fera das piores.

ADESTRAMENTO E TREINAMENTO

“Cães adultos não se acostumam com outro nome e nunca entendem apelidos”.

É até bom que o cão tenha seu nome mudado em casos como o nome anterior estar associado a sofrimento numa família que o maltratava.

“Cães farejadores de drogas são viciados nelas para as detectarem.”

O treinamento de caninos policiais para reconhecimento de determinadas substâncias é essencialmente o mesmo dado a seres humanos, policiais ou não, que aprendem a detectar a presença ou consumo de drogas por indícios como cheiros ou mudanças de comportamento; ninguém precisa se transformar em ávido consumidor.

O treinamento do cão para rastrear drogas é fazê-lo associar o aroma delas a alguma coisa boa, como um brinquedo, afago ou petisco, premiando-o quando tem êxito na busca.

“Cão macho é melhor para ser guarda que a fêmea.”

Muitos pensam assim devido ao macho ser mais agressivo. Mas o que define um bom guarda, canino ou humano, não é a agressividade e sim a verdadeira coragem; não confundir com aquela “coragem” que nasce do susto e do medo. E valentia muitas fêmeas têm de sobra. Obviamente, alguns caninos, machos ou fêmeas, têm temperamento mais adequado à guarda que outros.

“Os melhores cães de guarda são os mais agressivos.”

Acabamos de ver que agressividade só não é nada suficiente; o canino precisa ser socializado e adestrado para distinguir amigos de inimigos e não sair atacando e mordendo quem não deve.

“Gatos são mais espertos que cães.”

Depende do que se considera “esperteza”. O gato pode ser mais auto-suficiente, mas o cão é muito melhor (ou pelo menos demonstra mais disposição) para aprender comandos.

“Cão deve ser treinado por um profissional.”

Equivale a dizer que crianças devem ser criadas por babás e não por pai e mãe. Não falamos há pouco em pais e mães presentes? Pois bem, se você deixar outra pessoa educar seu cão, é a ela que ele vai acabar obedecendo! O cão só precisará de treinamento profissional se for agressivo demais ou tiver outros problemas comportamentais.

“Se o cão fizer cocô onde não deve, esfregar seu focinho nas fezes o ensinará a não fazer isso nesse local.”

O resultado será que o canino adquirirá a habilidade de fazer cocô no local proibido logo que você virar as costas.

“Não se pode ensinar truques novos a cão velho.”

Não bastassem preconceitos como o sexismo e o racismo, temos o “idadismo”, desta vez aplicado aos cães com a desculpa de esta noção ter se tornado um provérbio “aplicável” a todos. Bem, uma característica interessante do folclore – folclore no melhor sentido, o de sabedoria popular – é de que quase todo provérbio tem seu oposto.

Bastam exercícios físicos e mentais e boa alimentação para se manter a boa forma em qualquer idade, inclusive para assimilar coisas novas.

É claro que, tal como os humanos, o cão mais idoso pode apresentar uma ranhetice ou outra e já ser bastante metódico e sistemático, mas nem por isso vai deixar de aprender novidades com um pouco de esforço e paciência do dono e/ou treinador – sem falar que muitas vezes o canino muda de dono já com certa idade precisa conciliar o que já sabia com o que precisa assimilar.

Texto retirado do site:
http://br.especiais.yahoo.com/vida-de-cao/os-grandes-mitos-caninos-183

Anúncios

Uma resposta to “Mitos caninos”

Trackbacks/Pingbacks

  1. Fique por dentro! « - 1 de julho de 2011

    […] Mitos caninos […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: