Nós

Olá! Meu nome é Isabella e sou uma das voluntárias responsáveis pela administração do Lar Pá Pum. Se você veio até aqui é porque quer nos conhecer melhor, então vamos começar explicando o básico: O Lar Pá Pum não é uma ONG ou uma instituição registrada e o mais importante, não temos abrigo. Isso mesmo! Não temos um endereço ao qual você possa ir para conhecer todos os nossos cães ou levar aquele cachorrinho que você achou na rua ou que a sua vizinha não quer mais.

O Lar Pá Pum sou eu, você, a minha casa e a sua casa. Em qualquer lugar pode existir um pedacinho de Lar Pá Pum. Nós somos um pequeno grupo de voluntários que doa seu tempo livre e que, com a preciosa ajuda dos amigos, faz tudo que pode para mudar a história dos animais que cruzam nossos caminhos. Somos, assim como você, pessoas que amam cães! Todos os cães!

Nossos resgatados ficam em lares temporários, espalhados pela cidade do Rio de Janeiro. O lar temporário nada mais é do que a casa de alguém que se voluntaria a receber o animal, a cuidar dele diariamente, enquanto nós arcamos com todos os custos. Quando não conseguimos um lar temporário voluntário nossos cães ficam em hospedagens pagas, o que representa um grande custo.

Todo mundo pode ajudar um animal de rua, basta querer. Pra ilustrar isso, vou contar a minha história:

Pra mim, tudo começou em setembro de 2009. Já fazia quase um ano que eu tinha perdido um dos melhores amigos que tive nessa vida. Eu havia decidido nunca mais comprar uma vida e comecei a busca por um cãozinho para adotar. Eu queria um macho, filhote, porte pequeno. Foi numa feirinha organizada pela Família AuquiMia, na Tijuca, que minha busca teve fim. Cheguei lá antes dos cães e percebi a ansiedade das pessoas que até brigavam pelos filhotes e ignoravam os adultos. Não adotei ninguém, fui adotada. Levei para casa uma fêmea, adulta, porte médio, que vivia no CCZ-RJ. Ela estava subnutrida e muito carente. Esse foi meu primeiro contato com a dor e o sofrimento desses animais. Peguei o e-mail da Família AuquiMia na feirinha de adoção para ter auxílio e suporte já que eu nunca tinha adotado e se tratava de uma cadela adulta. Por engano, meu e-mail foi adicionado a uma lista de “protetoras e voluntárias”. Em um dos e-mails, uma moça de Maria da Graça pedia ajuda para uma pastora abandonada que vinha sendo agredida por moradores locais.

Minha família tinha uma casa fechada  há 15 anos, que eu tinha começado a organizar há algum tempo. Em 08 de abril de 2010 respondi ao e-mail e, assim, fiz meu primeiro resgate. Aceitei fazer lar temporário para a pastora que passei a chamar de Laila. Para divulgá-la para adoção comecei a buscar e adicionar outros grupos e protetoras independentes pelo Orkut (que era a rede social mais usada na época) e a pedir ajuda porque não conhecia ninguém e não sabia como proceder. Em 15 dias, com a ajuda de uma protetora de outro município, Laila estava adotada. E, como achei que com todos seria assim, comecei a acompanhar os pedidos de ajuda para lar temporário e a oferecer ajuda. Foi desse jeito que conheci outras pessoas das quais me tornei amiga e em pouco tempo parceira de trabalho.

Foi de uma dessas parcerias que nasceu o inusitado nome Lar Pá Pum. Uma voluntária que me ajudava na época fazendo cartazes de divulgação me mandou um cartaz e antes que ela tivesse tempo de me avisar eu vi, postei, divulguei e ela, muito gaiata, foi brincar comigo dizendo que eu era muito rápida, como resposta eu disse: “Comigo é assim: pá-pum” e de pá-pum pra cá e pá-pum pra lá, um trabalho voluntário e anônimo começou a ser organizado sob o nome Lar Pá Pum, que traduz bem a filosofia do grupo.

Não gostamos de depósitos de animais, nossa esperança é que fiquem conosco o menor tempo possível, preferencialmente só o tempo necessário para que se recuperem física e emocionalmente dos traumas que sofreram . Somos apenas uma passagem. Nosso trabalho é de reabilitação e adoção.

Queremos que todos encontrem um lar para chamar de seu. Mas não pense que temos pressa. Pelo contrário, só doamos cães castrados, vacinados e saudáveis. Quando o animal tem uma condição que requer um cuidado especial o adotante é informado. Nunca sabemos que tipo de doença ou condição um cão pode ter quando o resgatamos, por isso todos passam por consulta veterinária, exames de sangue e por exames complementares, sempre que solicitado pelo veterinário. Garantimos ao cão todo e qualquer tratamento que ele possa precisar, pelo tempo que ele precisar.  Toda vez que resgatamos um animal assumimos a responsabilidade por ele e  a possibilidade de que talvez ele nunca seja adotado. Por isso temos um limite de cães que podem estar sob nossa responsabilidade e prezamos para que esses cães vivam em um ambiente equilibrado, saudável e amoroso.  Como se estivessem em sua casa, uma casa temporária.

Só liberamos um cão para adoção quando consideramos que ele estará melhor com aquela família do que estaria conosco. Não vale à pena correr qualquer risco de que o animal volte a viver qualquer tipo de perigo ou que lhe falte algo. Para isso precisamos de questionários, entrevistas e longos termos de adoção responsável e de voluntariado, no caso de lares temporários. Algumas pessoas consideram isso chato, mas para nós não basta que alguém queira um cão. Ela tem que poder oferecer qualidade de vida ao animal. Muitas pessoas acham que por serem “cães de rua”, qualquer coisa é melhor que a situação que eles vivem. Mas essa não é mais a realidade deles. Nossos cães são o mais felizes que poderiam ser numa casa que não é a deles.

Não faço esse trabalho sozinha, seria impossível. Cada um oferece o que tem, o que pode, ajuda o quanto quer. Se hoje você está lendo esse texto nesse site é por que um dia, numa campanha em parceria com o SOS Vida Animal, em Copacabana, uma moça chamada Flávia passou com sua cadela e decidiu parar. Assim como no meu caso, foi a adoção de uma preta que trouxe a Flávia para esse mundo animal.

Assim como a Ivone, que foi voluntária e acabou imprimindo sua gaiatisse no nome do grupo, a Flávia foi uma voluntária muito importante, que doou seu tempo aos papunzinhos por alguns anos e agora não está mais conosco. Cada um que passa deixa sua marca, seu legado, e o trabalho continua.

Hoje somos três voluntárias responsáveis: eu – Isabella Gomes – Isabel Alves e Letícia Bergallo, e mais uma enorme Famatilha composta de adotantes, voluntários, amigos voluntários, madrinhas, padrinhos, divulgadores e incentivadores, sem os quais nada seria possível.

Se você tem vontade de ajudar e não sabe como, siga seu coração, se deixe envolver. Se você não pode fazer muito, não deixe de fazer o pouco que pode. Somos uma equipe de formiguinhas, de pouquinho em pouquinho, com a ajuda de quem só pode ir na campanha 1 horinha, de quem só pode doar R$5, de quem pode ajudar a vender uma rifa ou de quem recolhe doação de jornais e cobertores com vizinhos e parentes é que nesses anos centenas de animais saíram das ruas, deixando para trás suas tristes histórias para um futuro melhor. O Lar Pá Pum depende de você!

Precisamos de verba para os medicamentos, exames e cirurgias e vacinas. Pela falta de lares temporários sempre estamos pagando hospedagem para mais de um cão. Fora alimentação, hoje consumimos em média 300 kg de ração por mês.

Por tudo isso, qualquer ajuda é muito bem-vinda, seja com doação de jornais, lençóis e edredons usados, caminhas, casinhas, remédios que não foram totalmente utilizados que estejam dentro do prazo de validade, material de limpeza, ração, seja com uma carona, ajudando a vender uma rifa, sendo madrinha ou mesmo ajudando na divulgação. Desejando, você sempre terá como ajudar.

Agradecemos muito seu apoio.

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